Governo divulga novo remédio para pacientes com HIV

Em congresso, ministro da Saúde fala sobre a droga, que é bastante potente e provoca menos efeitos colaterais

O antirretroviral é considerado um dos melhores tratamentos para a Aids no mundo.




O Ministério da Saúde anunciou nesta sexta-feira (29) que vai ampliar a oferta do antirretroviral Dolutegravir no tratamento de todos os pacientes com HIV no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). A expansão foi declarada pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante o 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais, em Curitiba.

De acordo com a pasta, hoje o Dolutegravir é utilizado por 100 mil pessoas, mas até o final de 2018 mais de 300 mil indivíduos que vivem com HIV terão acesso ao medicamento. Para quem utiliza o Efavirenz, a troca de terapia será gradual.

Segundo informou o ministério, o antirretroviral é considerado um dos melhores tratamentos para a Aids no mundo.

Ele apresenta alta potência e um nível muito baixo de efeitos colaterais, aspecto considerado bastante importante para a adesão e o sucesso do tratamento contra o vírus da imunodeficiência humana. O custo para a implementação da droga é de R$ 1,1 bilhão, porém, não deverá alterar o orçamento atual do governo.




Desde o começo da epidemia, em 1980, o Brasil já registrou 842.710 casos de Aids, considerando até junho de 2016. O País tem registrado, anualmente, uma média de 41,1 mil casos da doença nos últimos cinco anos.
Em relação à mortalidade, de 1980 até dezembro de 2014 foram identificados 303.353 óbitos cuja causa básica foi a Aids. Houve uma redução de 5% nos últimos anos, passando de 5,9 óbitos por ano por 100 mil habitantes em 2006 para 5,6 óbitos em 2015.

Transmissão vertical
Durante o evento, o ministro Ricardo Barros recebeu o processo de solicitação da Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical (TV) do HIV do município de Curitiba. A capital do Paraná é um dos primeiros municípios a aderir à certificação de eliminação desse tipo de transmissão do vírus, quando é feita de mãe para filho, durante a gestação ou o parto.

A iniciativa foi lançada em novembro do ano passado, numa tentativa de incentivar o engajamento de municípios na eliminação da transmissão vertical. A certificação será emitida por um Comitê Nacional, em parceria com estados, que fará a verificação local dos parâmetros.

O documento será concedido a municípios com mais de 100 mil habitantes que atendam a dois critérios. O primeiro é registrar taxas de detecção iguais ou inferiores a 0,3 para cada mil crianças nascidas vivas. O segundo é ter proporção menor ou igual a 2% de crianças com até 18 meses expostas ao vírus que foram identificadas como infectadas e estão em acompanhamento na rede pública.

Profilaxia Pré-Exposição
No congresso também foi lançado o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) de risco à infecção pelo vírus. A medida de prevenção reduz o risco da infecção antes da exposição, por meio do uso de medicamentos antirretrovirais (tenofovir associado à entricitabina) em pessoas não infectadas e que mantêm relações de risco com maior frequência.

Entre o público-alvo da medida estão homens que fazem sexo com homens, gays, travestis, transexuais, profissionais do sexo e casais soro diferentes. Entretanto, o fato de fazer parte desses grupos não é suficiente para caracterizar indivíduos com exposição frequente à doença.

Porém, a profilaxia não previne outras infecções sexualmente transmissíveis, ou seja, não dispensa o uso de preservativo.




De acordo com o ministério, o Brasil é o primeiro país da América Latina a oferecer a PrEP no sistema público de saúde. A implantação ocorrerá de forma gradual, a partir de dezembro deste ano, em 22 cidades de todo o país: Manaus (AM), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Brasília (DF), Belo Horizonte (MG), Juiz de Fora (MG), Uberaba (MG), Passos (MG), Recife (PE), Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Niterói (RJ), Duque de Caxias (RJ), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo(SP), Ribeirão Preto (SP), São Jose Rio Preto (SP), Campinas (SP), Santos (SP), Piracicaba (SP).

Aplicativos
Também foram lançados aplicativos para ajudar profissionais de saúde e população na atenção à saúde das pessoas vivendo com HIV e Aids. Eles estarão disponíveis a partir deste sábado (30). O aplicativo Viva Bem funcionará como um diário para esses cidadãos, onde será possível inserir lembretes de medicamentos, acompanhar exames, tirar dúvidas sobre esquemas dos medicamentos e monitorar CD4 e carga viral.

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